AAA Stands With Brazilian Anthropology Assoc. in Support of Indigenous Rights/Resources

Desaparecimento no rio Javari. Onde estão Bruno e Dom? Não à impunidade, ao descaso e à violência sobre populações amazônicas

Desaparecimento no rio Javari. Onde estão Bruno e Dom? Não à impunidade, ao descaso e à violência sobre populações amazônicas

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público manifestar sua preocupação com a notícia do desaparecimento, no último domingo, na região do Vale do Rio Javari (AM), do indigenista da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Bruno Araújo Pereira, e do jornalista inglês e colaborador do jornal The Guardian, Dom Phillips.

Segundo nota conjunta da organização indígena UNIVAJA (União das Organizações Indígenas do Vale do Javari) e do OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato) divulgada na manhã desta segunda-feira (06), Bruno e Dom haviam ido visitar uma equipe de vigilância territorial indígena nas proximidades da Lago do Jaburu, próxima da Base de Vigilância da FUNAI no rio Ituí. No retorno à cidade de Atalaia do Norte na manhã de domingo (5), por volta das 6 horas encostaram a embarcação por alguns minutos na comunidade Ribeirinha São Rafael. Deveriam ter chegado ao destino previsto cerca de duas horas depois. Mas não chegaram.

A Terra Indígena do Javari tem sido alvo da ação de garimpeiros, caçadores, madeireiros e do narcotráfico. E mais recente, tem-se notícias da presença de grupos milicianos atuando na região. Em setembro de 2019, o colaborador da Funai Maxciel Pereira dos Santos, que trabalhava há mais de doze anos na Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari, foi assassinado com dois tiros pelas costas em plena luz do dia, na mais movimentada avenida na cidade de Tabatinga (AM), na fronteira do Brasil com Colômbia e Peru. Maxciel atuava principalmente em ações de vigilância e fiscalização da Terra Indígena. De lá para cá, aumentou a vulnerabilidade do território e da população indígena e dos funcionários da Funai. E se “naturalizou” a impunidade. Até onde sabemos, nem os assassinos de Maxciel, nem os mandantes foram punidos.

Chamamos atenção para o enorme descaso, negligência e mesmo um aberto incentivo por parte de certas forças políticas e governamentais à destruição de comunidades indígenas. Assiste-se a ataques armados de garimpeiros, de grileiros, a atos de crueldade e violência no trato cotidiano desses povos. Não foram poucas as mortes e os efeitos extremamente deletérios sobre a vida e a sobrevivência dos povos indígenas no atual governo.

A nossa legítima apreensão sobre a situação de Bruno e de Dom se ancora no contexto de destruição e violência em que desapareceram.  Tanto Bruno, indigenista da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), e o jornalista inglês e colaborador do jornal The Guardian, Dom Phillips, são profissionais que já deram provas da seriedade de seus trabalhos junto a esses povos amazônicos.

Como pesquisadores e cidadãos, manifestamos nossa indignação e repúdio em relação a esta situação. A ABA entende que não devem ser medidos esforços para esclarecer o ocorrido. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI), as Polícias Federal (PF) e Militar do Amazonas (PMAM) devem agir rapidamente, em colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) e a organização indígena UNIVAJA. Além disso, devem incrementar seus esforços para elucidar a morte do colaborador da Funai, Maxciel Pereira dos Santos, aparentemente vinculada às circunstâncias tão difíceis e já conhecidas, que se enfrenta na região.

Pedimos justiça a Maxciel

Onde estão Bruno e Dom?

Pedimos urgência máxima nas buscas.

Brasília, 07 de junho de 2022.

Associação Brasileira de Antropologia – ABA

Subscrevem a Manifestação:

Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)
Associação Brasileira de Ensino de Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS)
Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.BR)
Associação Brasileira de Hispanistas (ABH)
Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC)
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
Associação brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)
Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN)
Associação Brasileira de Professores de Italiano (ABPI)
Associação Brasileira de Professores de Língua Inglesa da Rede Federal de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (ABRALITEC)
Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP)
Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)
Associação de Linguística Aplicada do Brasil (Alab)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (ANPED)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL)
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)
Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF)
Associação Nacional de Pós-Graduação em Teologia e Ciências da Religião (ANPTECRE)
Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPOS)
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)
Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS)

Leia aqui a nota em Português
Leia aqui a nota em inglês.